Sarampo: A vacinação é a melhor prevenção?

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O sarampo tem voltado a gerar preocupação das autoridades médicas brasileiras. Após muitos anos praticamente erradicada, a doença voltou a causar preocupação após um surto ser registrado no país.

Com mais de 10 mil casos já confirmados em 2018, a maioria deles no estado do Amazonas, o ministério da saúde voltou a se preocupar com a doença que estava considerada como erradicada no país desde 2016. O país ganhou na época até um certificado de eliminação do sarampo concedido pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS) e agora corre o risco de perde-lo caso a transmissão da doença não seja interrompida.

O surto de sarampo e a Venezuela

O ministério da saúde também confirma que a variante de sarampo relatada na região Norte do Brasil é a mesma que circula na Venezuela, dando a entender que a entrada de refugiados daquele país pode ter contribuído para a transmissão da doença.

O surto de sarampo teve o seu pico identificado nos meses de junho, julho e agosto de 2018 e a quantidade de casos vem apresentando queda desde então graças à ação dos agentes de saúde que vem buscando intensificar as campanhas de prevenção da doença, principalmente a vacinação.

Formas de contágio

O sarampo é uma doença cuja transmissão é muito fácil de acontecer. Basta a proximidade entre um indivíduo contaminado para o risco de contágio já que a transmissão ocorre por vias orais e nasais. Dessa forma, tosse, respiração, espirros e até a fala já são suficientes para a transmissão do vírus.

Apesar disso existem grupos de pessoas mais suscetíveis ao contágio da doença. Os grupos de risco de contágio do sarampo são as crianças a partir de seis meses de vida, mas transmissão pode acontecer também para os adultos de até 39 anos de idade. A partir dessa idade, as chances permanecem, porém são menores.

Dentre os adultos, o risco é maior para aqueles que apresentam maior exposição a indivíduos de outros países que não adotam a mesma política intensiva de controle da doença como os trabalhadores de portos e aeroportos, hotelaria e profissionais do sexo.

Vacina contra sarampo

O sarampo é uma doença de controle relativamente fácil quando a vacinação é feita dentro das recomendações. A vacinação é eficiente, de baixo custo e muito importante, já que o sarampo é uma doença que pode até levar à morte, principalmente quando crianças são atingidas.

Outro fator que aumenta a importância da vacinação é que o sarampo não tem um tratamento propriamente dito. Ao invés disso, as pessoas doentes devem ser isoladas do contato com outras pessoas não infectadas devido à altíssima capacidade de transmissão da doença.

Objetos utilizados pela pessoa doente também precisam ser limpos e desinfetados para reduzir as chances de contágio.

Ao contrário do que se pensa, o sarampo não mata a pessoa infectada, mas causa efeitos colaterais que o fazem. Entre 5% e 20% das pessoas com sarampo morrem, normalmente por causa de complicações graves, como diarreia, desidratação, encefalite (inflamação no cérebro) ou infecções respiratórias. Outro problema conhecido que pode causar complicações quando o surto de sarampo acontece é a deficiência de vitamina A no organismo da pessoa infectada.

Por esses motivos o tratamento é mais focado nesses efeitos colaterais. Em países mais pobres ainda é comum o óbito, principalmente de crianças em virtude desses problemas.

A vacinação contra o sarampo acontece ainda na primeira infância, época crucial para uma prevenção eficaz. A tríplice viral recebe esse nome porque, além do sarampo, imuniza também contra a rubéola e a caxumba.

As doses recomendadas são: a primeira quando a criança tem 12 meses e a segunda entre 2 e 3 anos. Pessoas que já tiveram a doença também ficam imunizadas.

Os perigos da não vacinação

Como já dito aqui, o Sarampo é uma doença com altíssima taxa de transmissão e um surto de sarampo pode ocorrer facilmente quando a vacinação não é eficiente.

É por isso que justamente os países mais pobres são aqueles que mais sofrem com a doença, principalmente em regiões da África e da Ásia. Nesses países, por descaso ou negligência governamental, falta de recursos ou informação, o sarampo ainda continua fazendo estragos, já que os fatores de risco para a doença como a diarreia e a desidratação também são comuns.

Organizações internacionais de saúde como os médicos sem fronteiras e a cruz vermelha internacional têm atuado em conjunto com outras organizações não governamentais para criar campanhas de vacinação e prevenção da doença, tanto que as mortes e os casos relatados vêm caindo substancialmente com o passar dos anos.

Segundo dados da organização mundial da saúde e da Unicef, o número de casos caiu de mais de 4 milhões por ano na década de 80 para menos de 300 mil em todo o mundo no ano de 2017, mas ainda há muito a se fazer porque a globalização aumentou a circulação de pessoas pelo globo em viagens de negócio e turismo, aumentando os riscos de transmissão entre diferentes países e regiões.

Outro problema que tem alarmado as organizações de saúde é a resistência de muitas pessoas às vacinas. E não estamos falando resistência física, mas na negativa de vacinarem os seus filhos.

Surgiram nos últimos anos várias teorias conspiratórias envolvendo as vacinas, baseadas em um reduzido número de casos onde houve algum problema ou efeito colateral. Essas teorias acabam sendo amplamente divulgadas sem nenhuma responsabilidade e acabam por causar um mito de que as vacinas contra o sarampo ou qualquer outra doença fariam mal às pessoas.

Por causa disso, muita gente acaba com medo e prefere arriscar a vida dos próprios filhos a fazer a vacinação. Fatores religiosos e crendices populares diversas também ampliam essas falsas teorias e colocam as populações em risco do surgimento de novos surtos.

A vacinação é sim a melhor prevenção contra o sarampo, mas ela só funciona quando a informação vem junto, por isso vacine os seus filhos e ajude a melhor informar as outras pessoas.

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